Lembro
que por muito tempo, uma das demandas
mais antigas da nossa região era o acesso municipal - Camaquã/Arambaré. Muito
se falava sobre esta rodovia, alguns diziam que nunca seria feita, outros
lembravam governos passados que haviam começado e logo desistido. Entretanto,
no governo Yeda, quando assumi o cargo de diretor de planejamento e tinha sob
minha responsabilidade a administração dos Programas Estruturantes, empenhei-me
ao máximo para incluir esta rodovia no quadro de obras. Com o apoio do então
Secretário de Infraestrutura, Daniel Andrade e com o aval da senhora
governadora, consegui incluir a obra no plano de investimentos do Estado
através do Programa Estruturante Duplica RS - Projeto Acessos Municipais.
Lembro que muitos continuaram
duvidando. Afirmavam que o governo iria apenas colocar estacas na estrada, e
que isso já havia sido feito e que nunca deu em nada. Lembro também de ter
convidado a governadora para ir a Camaquã lançar a obra. Ela foi, e durante o
ato, um grupo de professores deixaram
suas escolas, e acompanhadas de alunos, muito deles crianças, se colocaram
diante da governadora para protestar, não contra a obra, mas por motivos,
imagino eu, relativo à educação. Entre vaias e protestos a governadora fez seu
discurso e seguiu para Arambaré, onde foi recebida calorosamente pelo prefeito
e a população local.
Muito provavelmente ainda neste
verão, a obra ficará pronta, e possivelmente virão ao nosso município,
representantes do governo Estadual para a inauguração da obra. Então é oportuno
passar algumas informações:
O déficit deste ano chegará a pelo
menos R$ 1,3 bilhão. O governo atual não soube manter o Déficit Zero e agora
convive com o Déficit do Bilhão, o que impede os pagamentos regulares ao
funcionalismo e aos fornecedores. Os saques no caixa único, deverão somar até o
final do ano R$1,5 bilhão. Lembrem que os recursos do caixa único são formados
pelas receitas das estatais, logo, ao invés do governo investir em
infraestrutura das empresas, acaba utilizando para a folha do funcionalismo.
E não apenas fornecedores passaram a
queixar-se de atrasos nos pagamentos. As 2.572 escolas que passaram a contar
com autonomia financeira a partir do governo Yeda Crusius, não receberam os R$
5,8 milhões a que tinham direito no dia 31 de outubro. De acordo com a
Secretária adjunta da Educação, Maria Eulália, o atraso é uma questão de fluxo
de caixa. Não há crise. Bem, será que o governo terá problema de fluxo de caixa
para pagar o 13º do funcionalismo? Neste ano parece que não, mas quem aposta
que ano que vem pagará sem utilizar os recursos das estatais (caixa único)?
Em relação ao piso do magistério o
fato é ainda pior, pois o próprio Governador Tarso enquanto ministro da justiça
sancionou a Lei e agora além de não pagar, questiona o índice de correção na
justiça, mesmo tendo prometido pagar durante a campanha. Aliás a proposta do
governo chega em R$ 1.260,00 em novembro de 2014, quando o piso desde
janeiro/2012 era de R$ 1.451,00. Portanto, ficará longe do cumprimento do piso.
Assim considerando, se os professores entrarem na justiça poderá formar um
passivo de R$ 9 bilhões em 2014, indo tudo para precatórios, onde o Estado já
deve R$ 9 bilhões. Serão R$18 bilhões, o dobro.
Tarso concede reajuste aos
professores com base no INPC, ignorando os reajustes já concedidos pelo Fundeb,
como se fosse possível retroagir para tirar direitos. Com os sucessivos
equívocos financeiros deste governo, a solução para o próximo governador(a)
será a venda do Banrisul, caso contrário, a partir de 2015, não haverá recursos
para investimento, muito menos capacidade de endividamento.

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