O Governador Tarso Genro, em Mensagem proferida desta Tribuna, em 01 de fevereiro, apresentou um relato da situação financeira do Estado e das estratégias adotadas pelo seu Governo. Graças a essas estratégias, o Estado encontra-se, hoje, num novo patamar orçamentário e financeiro. “Uma situação bem melhor do que a situação anterior”, segundo Tarso.
As estratégias apresentadas pelo Governador foram:
1) uma política de captação de recursos junto as Agências Internacionais e Nacionais de crédito;
2) a aprovação do projeto de modernização da Secretaria da Fazenda que propiciou uma arrecadação R$ 600 milhões acima da prevista inicialmente;
3) a assunção pela União da dívida histórica junto a CEEE;
4) a captação de recursos feita pelo Banrisul junto ao mercado financeiro internacional;
5) um novo espaço fiscal conjugado nos empréstimos internacionais, autorizado pela pela Presidente Dilma.
É importante perceber que em nenhum momento do seu discurso o Governador fala em indicadores orçamentários, financeiros, da dívida, de investimentos na saúde, na educação e na segurança.
O Governador não fala do desempenho destes indicadores em 2011 e se cala sobre os projetos para essas áreas. Por que?
Porque o novo patamar orçamentário e financeiro que o Estado atingiu é ruim. A situação orçamentária e financeira do Estado em 2011 piorou em relação ao ano de 2010.
O resultado orçamentário de 2011 foi de déficit de R$ 487,6 milhões, três vezes superior aos R$ 156,5 milhões de 2010. Foi o pior resultado orçamentário dos últimos 5 anos!
Embora o Governo Tarso alardeie que tem dinheiro, no ano de 2011, foram sacados R$ 183,0 milhões do Caixa Único (SIAC) e utilizados para tapar o rombo do fluxo de caixa do Estado. Desde o ano de 2007, o Governo não recorria ao Caixa Único, comprovando que a situação financeira do Estado se deteriorou no ano de 2011.
O resultado primário, ou seja, a economia que o Estado deve fazer para honrar o serviço da dívida, ficou em R$ 1,454 bilhão, R$ 540,7 milhões abaixo da meta de R$ 1,994 bilhão. Esse resultado foi pior do que o do ano de 2010, que somou R$ 1,582 bilhão e o pior desempenho dos últimos quatro anos!
A dívida consolidada líquida do Estado aumentou de R$ 43,437 bilhões, em 2010, para R$ 46,874 bilhões, em 2011, um acréscimo de R$ 3,437 bilhões em apenas um ano.
Ao mesmo tempo em que os indicadores orçamentários e financeiros pioram, os investimentos petista em 2011 foram significativamente menores dos que os realizados em 2010.
O investimento consolidado do Estado, em valores já corrigidos pelo IGP-DI, caiu de R$ 2,156 bilhões, em 2010, para R$ 1,115 bilhão, em 2011. A queda foi de R$ 1,041 bilhão em todas as fontes de recursos. Os recursos oriundos da Lei 13.328/2009, explicam R$ 749,9 milhões do montante total desta queda.
Os recursos do Tesouro-livres, ou seja, não vinculados pela Constituição ou por Lei, tiveram queda de R$ 529,0 milhões em 2010, para R$ 270,9 milhões em 2011. Os investimentos da Consulta Popular também acompanharam essa queda, passando de R$ 45,650 milhões, em 2010, para R$ 20,277, em 2011.
Ao considerarmos todas as fontes do Tesouro, a queda dos investimentos da Consulta Popular é ainda maior, passando de R$ 75,923 milhões, em 2010, para R$ 29,320 milhões, em 2011.
Por área de atuação do Estado, sem dúvida alguma, a Segurança Pública foi a mais afetada – isso que o atual governador foi Ministro da Justiça. Em 2010, os investimentos consolidados na Segurança Pública foram de R$ 161,2 milhões, em 2011, caíram para R$ 65,2 milhões, menos R$96 milhões.
Na Saúde os investimentos caíram R$58,8 milhões, passando de R$ 112,9 milhões, em 2010, para R$ 54,1 milhões, em 2011.
Na Habitação os investimentos caíram R$59,6 milhões, passando de R$ 64,4 milhões, em 2010, para R$ 4,8 milhões, em 2011.
Os recursos destinados para investimentos e o custeio de projetos para a irrigação caíram de R$ 76,489 milhões, em 2010, para R$ 53,605 milhões, em 2011. Uma drástica redução em pleno momento da grande seca que assola o Rio Grande. Enquanto isso Tarso em Cuba.
No DAER, os investimentos com recursos do Tesouro, Próprios e com a CIDE, excetuados os recursos advindos da Lei 13.328/2009, somaram R$ 352,8 milhões, em 2010. Em 2011, os investimentos com essas fontes de recursos não atingiram a R$ 232 milhões, uma queda de R$ 120 milhões ou 34% de um ano a outro.
Pelo que percebemos até agora, a única alternativa visualizada pelo Governo Tarso do PT é aprofundar o endividamento do Estado, o que não tem nenhuma sustentabilidade no curto ou no médio prazo. A opção estratégica do Governo de fazer investimentos através do aumento do endividamento do Estado é irresponsável. Não tem respaldo numa visão de médio e longo prazo, ela é conjuntural, imediatista, diversionista e eleitoreira.