A CPI DO ARROZ EM NÚMEROS
Reuniões com oitivas: 09
Audiências públicas: 03
Reuniões sem oitivas: 05
Total de reuniões: 17
Total de depoimentos: 26
Requerimentos de oitivas aprovados: 11
Req. de audiência pública aprovados: 07
Requerimentos apresentados: 39
MERCADO:
O arroz, sozinho, dentro de todos os produtos produzidos no Rio Grande do Sul, gera 4% do PIB gaúcho (8,7 bilhões de reais).
A cultura do arroz está presente em mais de 130 Municípios no RS, gera mais de 250 mil empregos diretos e indiretos. São cerca de 16 mil produtores.
O Brasil é o maior consumidor e produtor de arroz no mundo fora da Ásia e o consumo mundial esta aumentando.
Setenta porcento das importações de arroz estão fora da Ásia. Atualmente exportamos apenas 3% de nossa produção.
Dentro da porteira somos competitivos. Utilizando os mesmos insumos, não há no planeta produção mais eficiente do que a nossa.
De acordo com o IRGA, em relação a esta última safra, para produzir um hectare de arroz:
O RS tem um custo de 2 mil e 200 dólares (U$ 2.200,00); No Uruguai, o custo é de 1 mil, 450 (U$ 1.450,00); No Paraguai, 1 mil e 400 (U$ 1.400,00); Na Argentina, 1 mil e 326 (U$ 1.326,00);
Nos Estados Unidos, 1 mil e 300 (U$ 1.300,00).
PROBLEMAS APONTADOS NA CPI
O MERCOSUL
O custo de produzir no RS é 30% superior ao do Uruguai, 19% ao Paraguai, 27% maior que a Argentina e 38% maior que os Estados Unidos.
As indústrias brasileiras compram arroz do Mercosul, com alíquotas que chegam a zero; enquanto o Rio Grande do Sul tem que pagar, 12%.
A colheitadeira John Deer, 1175, produzida no Município de Horizontina, custa, em Horizontina, para os produtores da região, 311 mil e 500 reais. De acordo com o custo de produção dessa última safra - Na Argentina, a mesma colheitadeira custava 243 mil reais. Ou seja, aqui, onde ela é produzida, custa 28% a mais.
Os herbicidas, custam em torno de 50% mais caro aqui.
De acordo com cálculos baseados no custo de produção da CONAB, se os produtores gaúchos comprassem insumos no varejo argentino, o custeio da lavoura cairia de 2 mil e 200 reais para 1 mil e 635 reais. Um tombo de 26% no nosso custeio.
CONTROLE FITOSANITÁRIO
Constatamos o total desaparelhamento para fiscalizar as fronteiras terrestres.
Ingressam no Brasil produtos que utilizam, na origem, agrodefensivos não autorizados ou em excesso dos níveis permitidos no Brasil pela ANVISA. Trata-se de concorrência desleal, na medida em que o arrozeiro nacional é obrigado a seguir o receituário de aplicação dos defensivos agrícolas e o arroz importado, na prática, está livre desse encargo.
ARMAZENAGEM
Apenas 10% dos produtores rurais, têm armazenagem própria.
Isso quer dizer que os produtores acabam perdendo assim o poder de determinação do preço, ou parte do poder de determinação de preço.
De que adianta o preço internacional subir se o produto já foi entregue?
TRIBUTAÇÃO \ PREÇO
Cabe salientar que, no processo de plantio do arroz, 24,48% de um saco é imposto, no Uruguai, na Argentina, Estados Unidos e Paraguai não chega a 8%.
Nós geramos, quando estávamos plantando o arroz desta última safra, 1 bilhão e 46 milhões de reais de impostos.
De acordo com o IRGA, nos últimos 22 anos, em 15 o produtor fechou negativo. Isso dá 70% do período em que o produtor fechou em vermelho.
PODER DE MERCADO \ TABELA ORELHANA
Há pouco mais de 26 anos, tínhamos 615 indústrias no RS, hoje, temos 225. Este poder se manifesta através dos financiamentos, armazenamento e determinação da tabela de descontos por parte da indústria.
Há evidências de combinação por parte dos industriais sobre a tabela de desconto chamda de Tabela Orelhana, o que remete a formação de cartel. É uma relação de adesão, típica de abuso do poder econômico.
A indústria efetua o desconto das impurezas e do excesso de umidade e paga somente pelo arroz limpo. O que é descontado não é devolvido ou remunerado ao produtor rural e é apropriado pela indústria, o qual gera subprodutos.
Na prática a indústria realiza, na sua classificação, descontos superiores aos praticados pela CONAB.
ENDIVIDAMENTO \ RECIPROCIDADE
É gravíssimo o alto índice de endividamento dos arrozeiros. As sucessivas safras frustradas, não por quebra ou baixa produtividade, mas por preço baixo do produto da lavoura.
Tecnicamente, em sua maioria, não estão inadimplentes, pois rolam para o exercício seguinte as dívidas que não podem liquidar.
A questão não é a existência de crédito ou mesmo a falta de recursos. A dificuldade do arrozeiro é a de acesso ao crédito, principalmente para os de pequeno porte. É a formatação do crédito rural que era adequado para um período de moeda inflacionado e não de estabilidade monetária. É preciso mudar a forma de financiamento da agricultura, o que envolve alteração da legislação federal, a sensibilização do BACEN, que possam tornar mais simples a tomada de crédito, a juros mais baixos.
Outro tema debatido na CPI foi a chamada reciprocidade. Muito embora os representantes do setor bancário ouvidos tenham alegado desconhecer tal prática, o fato é que esta tem sido uma queixa corriqueira por parte dos produtores.
MECANISMOS DE COMERCIALIZAÇÃO
O Governo Federal gasta muito com mecanismos de comercialização cujos recursos, muitas vezes, chegam após concretizada a venda da produção de quem mais precisa.
Em outras palavras, a ajuda chega tarde porque, como a maioria dos arrozeiros não têm sistema próprio de armazenamento, acaba tendo de vender no período de safra.
A solução é que esses mecanismos de comercialização sejam liberados aos arrozeiros não após a colheita, mas no custeio do plantio, garantindo um preço mínimo para compra do produto.