Voltamos a ter, a mais alta taxa real do planeta, jogando por terra
mais uma promessa fajuta da presidente Dilma Rousseff.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem
27/11/2013 subir a taxa básica de juros do país para 10% ao ano. Foi a sexta
alta seguida. Desde março último, a Selic aumentou 2,75 pontos percentuais, uma
pancada e tanto.
O Brasil está na contramão do mundo, num momento em que a maioria das
economias tem reduzido os juros - como ocorreu recentemente, por exemplo, no
Chile, México e Peru. Na média, as 40 principais economias do planeta praticam
juro real negativo de 0,6% - apenas 17 países têm taxas positivas.
Analistas de mercado prevêem que a alta da Selic não irá parar aí. Os
que mais acertam seus prognósticos estimam que a taxa possa chegar a 11% no ano
que vem. Se isso acontecer, Dilma impingirá ao país um juro básico ainda maior
do que o herdado do ex-presidente Lula (10,75%).
No início de seu governo, a presidente prometeu que faria a taxa real
brasileira baixar a 2% ao ano. Em alguns momentos, até conseguiu: em dezembro do
ano passado, chegou a atingir a mínima de 1,39%. Mas, como juro não cai na
marra, a retomada das altas da Selic para conter a inflação acabou empurrando o
juro real brasileiro novamente para cima.
Agora, a taxa real está em 4,1% anuais, no topo do ranking mundial,
segundo levantamento feito sistematicamente pela consultoria Moneyou.
A China, que por um tempo liderou a lista, já aparece bem distante no segundo
lugar, com 3,1%, seguida pelo Chile, com 2,8%.
O BC está tendo que aumentar os juros para combater uma inflação que
se mostra renitente, mas, por causa do constante
aumento dos gastos públicos, tem sua missão ainda mais dificultada. Mesmo a
alta forte da Selic nos últimos meses não tem conseguido segurar os preços,
como mostra hoje o Valor
Econômico.
"Quando o Copom começou a subir os juros em abril, o IPCA
estimado para o ano estava em 5,68% e para o fim de 2014 em 5,70%, com juro de
8,5% nos dois anos. Na última pesquisa Focus, com o mercado antevendo Selic de
10% neste ano e de 10,50% em 2014, os prognósticos inflacionários eram de 5,82%
e 5,92% respectivamente."
Trocando em miúdos: com taxa de juros quase três pontos percentuais
mais baixa, a expectativa de inflação era menor do que a atual. Isso significa,
por um lado, que a alta da Selic não tem sido suficiente para acalmar a
escalada de preços e, por outro, que a gasolina que o governo joga na inflação
com o aumento das despesas públicas tem sido muito mais potente.
Além disso, mesmo com as idas e vindas da Selic, o governo petista
continuou gastando como poucos países com o pagamento de juros. Na verdade, em
todo o mundo, apenas Grécia e Líbano gastam mais do que nós, segundo
levantamento feito pelo FMI.
Os juros hoje consomem 4,8% do PIB brasileiro, o que dá algo em torno
de R$ 160 bilhões ou o equivalente a seis vezes o orçamento do Bolsa Família.
Caíram pouco em relação aos 5,2% do último ano do governo Lula, porque "a
administração petista criou novos custos financeiros ao se endividar no mercado
para injetar dinheiro nos bancos públicos e elevar a oferta de crédito",
conforme analisa hoje a Folha
de S.Paulo.
Como todos nós sabemos os impactos do aumento dos juros atinge
principalmente aqueles que precisam de recursos, seja para cobrir suas despesas,
seja para investir no seu negócio, seja para ampliar a casa, seja para qualquer
coisa que se precise de dinheiro emprestado.
Infelizmente quem tem menos é quem mais vai pagar e quem tem mais é
quem mais vai ganhar. Juros alto inibe o investimento, freia a economia e tende
a gerar desemprego. Infelizmente em nosso final de ano teremos um peru bem
salgado.

