A
Tabela no final mostra o total sacado do caixa único por governo,
desde 1999 até 2012, em valores correntes e constantes, pelo IPCA.
O total sacado foi de R$ 6.386.916 mil e R$ 9.419.725 mil,
respectivamente.
Em
valores constantes, o governo Olívio retirou 38,9% do total sacado,
Rigotto, 23%; Yeda, 19,5% e Tarso, em apenas dois anos, 18,6%, mas
será o governo de maior retirada, considerando a importância de R$
4,2 bilhões de depósitos judiciais disponibilizados ao Estado,
recentemente. O Governo Yeda só sacou em 2007, devolvendo ainda R$
100 milhões no exercício seguinte.
Está
havendo uma confusão entre depósitos judiciais tributários
e não tributários. Os primeiros foram disponibilizados ao Poder
Executivo, conforme estabelecido pela Lei n° 11.688, de 8/11/2001.
Então, não existem saldos dessa espécie de depósitos judiciais.
Os
saldos existentes decorrem dos depósitos judiciaisnão
tributários, que não pertencem ao Estado, que é apenas um
depositário fiel (infiel). Entretanto, a Lei n° 12.069 de
22/04/2004 estabeleceu que 70% deles fossem disponibilizados ao
Estado, percentual esse que foi aumentado para 85% pela Lei n°
12.585, de 29/08/2006.
O
saldo desses depósitos consta no Balanço Patrimonial do Estado de
2010, no grupo compensado, sob a denominação “Recursos Passíveis
de Uso pelo Estado – Lei 12.069/2004” R$ 3.636.378.60,90, valor
esse que consta sem
alteração no
balanço de 2012.
A
falta de lançamento dos valores apurados em 2011 e 2012 constitui
uma grande ausência de transparência, principalmente agora que o
governo disponibilizou R$ 4,2 bilhões.
Outro
problema de falta de transparência nessa área diz respeito à
impossibilidade de se acessar o balancete analítico do Estado, onde
estão registrados os saques ao caixa único, entre outras
informações que dizem respeito à existência de recursos e de
dívidas.
Em
vez da permissão do acesso ao citado documento, consta a seguinte
informação (em vermelho):
BALANCETE
NÃO DISPONÍVEL EM JANEIRO E FEVEREIRO/2013 EM FUNÇÃO DE MUDANÇA
DE PLANO DE CONTAS.
Diante
disso, cabe perguntar, se passados quatro meses do início do
exercício ainda não foi possível proceder à mudança do plano de
contas. Como está em mudança o plano de contas, se os dados
relativos à receita e à despesa são disponibilizados, se são
também informações contábeis disciplinadas pelo mesmo plano de
contas?
Outra
ausência de transparência diz respeito aos precatórios judiciais
cujo valor constante do balanço de 2011 era de R$ 8,775 bilhões e
no de 2012 R$ 6,799 bilhões, uma redução de R$ 1,976
bilhão, quando o valor empenhado em 2012 foi de
R$ 735 milhões (Balanços do Estado de 2011, p.129 e de 2012,
p.110).Mesmo desconsiderando a correção monetária,desapareceram
do saldo a importância de R$ 1,241 bilhão ( 1.976 – 735).
Além
disso, constam R$ 3,935 bilhões no grupo compensado,
como se esses valores não fossem dívida líquida e certa. Esse
procedimento ajuda o governo a reduzir o grau de endividamento,
possibilitando, como isso, a obtenção de
novos empréstimos.
Podemos
até admitir que parte dos precatórios é estimativa, mas daí a
colocá-la no grupo compensado vai uma enorme diferença. O
compensado, embora conste no passivo (e também no ativo em igual
valor) não constitui uma dívida, mas apenas uma informação de
interesse do Estado, como é o caso dos depósitos judiciais que, no
entanto, não estão sendo lançados, conforme citado.
Luciano,
ResponderExcluirObrigado por reproduzir meu texto e parabéns pelo blog. Até 2014 tudo irá bem, porque os depósitos judiciais financiarão os desmandos. Não sei quando será o estouro, talvez em 2016. Marca bem esta data. Tomara que esteja errado.
Abraço.