Quando analisamos o desempenho da economia gaúcha, percebemos que existem dois fatores preponderantes na volatilidade do nosso resultado: a taxa de câmbio e as estiagens. Basicamente, são essas duas variáveis que fazem o PIB gaúcho oscilar, às vezes crescemos muito mais do que a economia brasileira, e em outras, crescemos muito menos. Um exemplo foi o que ocorreu em 2003 quando a taxa de crescimento do PIB estadual foi de 4,8%, enquanto o nacional foi de 0,5%. Já em 2005 o resultado do PIB gaúcho foi de -4,8% enquanto o nacional foi 2,6%.
Estudos da Fundação de Economia e Estatística apontaram que sobre a queda do PIB gaúcho em 2005 (-4,8%), a estiagem foi responsável por -3,03% e o câmbio -0,56% desse resultado, o restante ocorreu por demais fatores. Note que o impacto da estiagem sobre a variação negativa do PIB gaúcho foi superior a 60%.
Em relação à taxa de câmbio não há muito que se fazer, visto que é uma variável macroeconômica e seu comportamento é exógeno, ou seja, dado por fatores de mercados e não dependem meramente por vontade política.
Por outro lado, as secas, são fenômenos históricos que conhecemos e temos registros há mais de um século. Além disso, as estatísticas de precipitações pluviométricas mostram que a cada cinco anos devemos ter duas secas, uma de média intensidade e outra de forte intensidade.
Cabe lembrar que ao longo do período 2007/2010 os gaúchos contaram com a Secretaria de Irrigação, que tinha por objetivo minimizar os efeitos das estiagens sobre a produtividade do agronegócio gaúcho. Entre os projetos desenvolvidos estão construção de cerca de 2.900 microaçudes, beneficiando 237 municípios no valor de R$40,1 milhões; a construção de duas grandes barragens (Jaguari e Taquarembó), cujo valor empenhado no período foi superior a R$100 milhões, sendo que ainda estão em fase de construção; além de investimentos na elaboração de projetos para o Usos Múltiplos da Água num valor de R$9 milhões.
Hoje não existe mais a Secretaria de Irrigação, porém a estiagem voltou a castigar o nosso Estado e o prejuízo estimado até agora é de R$2 bilhões, afetando cerca de 1,6 milhões de pessoas em 291 cidades, o que demonstra o quanto ainda estamos despreparados para o enfrentamento das estiagens. Enquanto isso, para remediar os efeitos deletérios da seca, o atual chefe do executivo estadual está destinando R$26,4 milhões, valor inferior ao que gastará com a criação de novos CCs e FGs – R$35 milhões ao ano.
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Luciano