Escrevi o artigo abaixo faz uns 8 anos, foi públicado no Jornal - A Visão.
O Fumo
Mata...
...ignorância,
corrupção, homicídio, falta de perspectiva, trânsito e o tráfico também. O
Brasil está repleto de fatores que aumentam as estatísticas de mortes não
naturais.
Em qualquer cidade
brasileira que se vá hoje, encontramos uma série de vendedores ambulantes,
vendendo bugigangas chinesas. O mercado informal hoje é a forma que muitas
famílias encontram de subsistir. Este tipo de mercado não gera nenhum tipo de
garantia formal ao trabalhador e muito menos gera renda ao Estado. Além disso, o
mercado informal concorre com os comerciantes e indústrias nacionais que pagam
impostos.
Entretanto, o que se
tem feito para reverter esta situação? Usar a força impedindo com que tais
ambulantes ganhem seu sustento não adianta! Poderíamos estar criando uma massa
ociosa que irá encontrar no mundo do crime uma alternativa. Na verdade a solução
está numa proposta consistente de geração de emprego formal, onde o trabalhador
terá seus direitos garantidos por lei e com condições mínimas de
trabalho.
A falta habilidade
política para resolver problemas sociais no Brasil é notório. Como no caso da
famigerada Convenção-Quadro que os Camaqüenses tiveram a oportunidade de
acompanhar.
Em relação a esta
Convenção a questão não reside propriamente na saúde muito menos nos supostos
interesses obscuros das grandes multinacionais ou das grandes potências. O fato
é que existe em torno de 236 mil famílias de pequenos agricultores envolvido
neste processo.
A indústria de fumo
hoje gera cerca de 2.4 milhões de emprego. O que fazer com eles? Esqueçam
AFUBRA, Organização Mundial da Saúde e os EUA, o assunto ora em voga é renda,
trabalho, sustento.
O sul hoje representa
96% da produção nacional (850 mil toneladas), com destaque para o Rio Grande do
Sul 50% e Santa Catarina 34%. Ou seja, o problema é nosso, sim! Fumante ou
não!
Todo fumante que tem o
mínimo de consciência gostaria de parar de fumar, assim como qualquer plantador
de fumo aceitaria mudar de cultura se caso houvesse uma alternativa melhor.
Afinal de contas quem quer perder saúde ou renda?
Mas como confiar em
alternativas se nem mesmo os cultivos tradicionais no Brasil conseguem arcar com
seus custos? Enquanto os países ricos esbanjam subsídios aos seus
agricultores.
Então façamos um trato,
os países desenvolvidos deixam de subsidiar suas produções agrícolas e nós
aderimos à ratificação. Afinal de contas subsídios nos países ricos favorecem a
miséria dos países pobres, e a pobreza ajuda a desenvolver doenças endêmicas...
Questão de saúde também!
Vivemos a era das
crises das instituições, mesmo contrariado pela ONU os EUA invadiram o Iraque,
mesmo com o incentivo da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a assinatura
do Tratado de Quioto (diminuição de poluentes na atmosfera) os EUA não
aderiram.
Parece que o
brasileiro descobriu uma maneira nova de fazer política econômica e o lema é:
Não produza! Para ajudar o governo eleva a taxa de juros, adota uma carga
tributária ostensiva, aumenta o superávit primário, diz não ao cultivo de fumo
sem dar alternativa concreta e até mesmo o referendo. O Rio Grande do Sul que se
benza.
Se tal ratificação
vier à tona teremos o desemprego rondando cerca de 2,4 milhões trabalhadores,
além disso, o êxodo rural poderá trazer para as cidades quem sabe futuros
vendedores, ambulantes nas praças das cidades gaúchas com suas bugigangas
escrito Made in China. Bom, melhor do que futuros marginais.
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Luciano