EDUARDO
BRESCIANI / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Contratos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) sofreram alterações para beneficiar empresas de Eike
Batista. As mudanças adiaram prazos, estenderam recursos e relaxaram
exigências. Documentos enviados ao Congresso e obtidos pelo 'Estado' mostram
que foram firmados 15 contratos no valor de R$ 10,7 bilhões com empresas do
grupo de janeiro de 2009 a dezembro de 2012 com juros baixos, garantias em
ações das próprias companhias ou bens que ainda seriam adquiridos.
Uma das prorrogações foi assinada a apenas quatro dias do prazo em que
a empresa deveria ter feito o pagamento. Em 15 de setembro de 2012 a UTE
Parnaíba, que tem a MPX como sócia, deveria ter pago ao BNDES R$ 242,7 milhões.
No dia 11 de setembro de 2012, porém, um aditivo mudou o pagamento para março
de 2013.
O adiamento ocorreu também em contrato de R$ 240 milhões firmado em
dezembro de 2009 com a empresa UTE Porto de Itaqui Geração de Energia S.A., que
tem a MPX como sócia. O contrato original previa amortização equivalente a
cinco parcelas em junho de 2012, mas um aditivo postergou a quitação em 13
meses.
Outro acordo, com a Porto do Pecém Geração de Energia, na qual a MPX
está envolvida, o BNDES prorrogou a exigência de desempenho técnico em seis
meses: de dezembro de 2011 para junho de 2012.
Juros baixos. No entanto, as vantagens oferecidas a projetos ligados ao
empresário não se resumem a adiamentos. O maior dos contratos individuais entre
BNDES e empresas de Eike, de R$ 1,4 bilhão, foi firmado em julho de 2009 para a
implantação de uma termoelétrica dentro do complexo industrial de Pecém, em São
Gonçalo do Amarante (CE), que tem como acionista a MPX.
A unidade está em operação e, segundo o contrato, os pagamentos do
financiamento do BNDES serão realizados até junho de 2026. Os juros cobrados
são de 2,77% ao ano acima da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em
5% ao ano. A taxa é inferior à Selic, que foi elevada pelo Banco Central para
8,5% ao ano na semana passada, usada pelo Tesouro para levantar recursos no
mercado.
Há taxas de juros ainda mais favoráveis ao grupo. Em dezembro de 2009,
um contrato de R$ 407,7 milhões com a LLX Sudeste para a compra de equipamentos
para a construção do porto de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), tem juros fixos de
4,5% ao ano. Na época da assinatura do contrato, a Selic era em 8,75%. O BNDES
justifica que, em linhas específicas, outras empresas também receberam juros
subsidiados (leia mais abaixo).
Garantias. As garantias também chamam a atenção. Penhor de ações das
próprias companhias, cartas de fiança assinadas por empresas do grupo e bens
que ainda seriam comprados estão entre as garantias ofertadas pelo grupo EBX.
Num contrato que assina como pessoa física, no valor de R$ 1,344
bilhão, para a construção de um estaleiro pela OSX, Eike oferece entre as
garantias dividendos uma de suas empresas, com sede na Holanda. Firmado em
2012, o contrato prevê amortizações a partir de 2016 e pagamento até 2034.
Projetos de
infraestrutura, como estaleiros, usinas e portos, geralmente são financiados no
longo prazo. No caso de Eike, a maior parte dos empréstimos vence na próxima
década.
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