Lembro
quando estava cursando o mestrado em Economia do Desenvolvimento, era início de
2006, e estávamos às vésperas da campanha eleitoral. Na ocasião, um professor
de macroeconomia, me convidou para escrever o Plano de Governo da então,
candidata do PSDB, Yeda Crusius. Era uma oportunidade para eu colocar aquilo
que havia vivido na academia, muito embora, naquela ocasião, a candidata não
estava cotada para vencer o pleito, pois detinha menos de 10% da intenção dos
votos.
Topei
o desafio e passei a me reunir com alguns professores de economia, fazendários,
planejadores de Estado e servidores das secretarias finalísticas como saúde,
segurança, educação e infraestrutura. Entre todos os temas propostos no plano,
havia notoriamente uma limitação que impedia o desenvolvimento de toda e
qualquer ação de Estado – A falência financeira, ou seja não havia recursos
sequer para pagar os salários. Nossa previsão era que o Estado chegaria em dezembro,
pagando a folha outubro.
Colocarmos
a problemática para a candidata, que de imediato, definiu o mote de sua
campanha – Déficit Zero. Confesso que achei o tema impopular e de difícil
compreensão, mesmo assim, Yeda ganha as eleições e o déficit zero passa a
nortear o governo desde o primeiro dia. Diversas vezes vi a governadora dizendo
que o Estado do Rio Grande do Sul, não poderia estar constantemente em
Brasília, com o pires nas mãos, para pedir recursos. Sua ideia era que o Rio
Grande deveria erguer a cabeça, voltar a ser altivo, nem que para isso fosse
necessário cortar na própria carne.
Foi
cortado na própria carne, as despesas de custeio que cresciam em média 12% ao
ano, através do programa Fazendo Mais com Menos foi reduzido em 30%, o que
permitiu uma economia superior a meio bilhão de Reais, 20% dos cargos em
confiança foram pulverizados, pela primeira vez na história do Estado salários
que ultrapassavam o limite constitucional foram cortados, foi renegociada a
dívida com fornecedores (média de atrasos - 13 meses), permitindo a
redução de 30% nos preços praticados ao Estado. Em 2007 haviam registrados na
central de compras do Estado – CELIC, 1.1 mil empresas e em 2010 passou para 11
mil empresas.
Os
resultados apareceram e são inegáveis, a folha dos servidores foi colocada em
dia, inclusive com antecipação do 13º, o Rio Grande passou a investir com
recursos próprios, a Lei Brito foi integralizada na folha do funcionalismo,
pagou-se precatório 15 vezes mais que a média histórica e o déficit? Zerou.
Quatro anos após a gestão tucana, volta-se ao cenário de 2006, atrasos de
fornecedores, folha, falta de recursos para investimentos, repasses a hospitais
e por aí vai.
É
natural que o servidor público se revolte com este cenário, o salário é
sagrado, as famílias possuem compromissos que devem ser honrados mensalmente,
salário traz dignidade ao chefe de família. Mas o servidor, em sua grande
maioria não é ingênuo e saberá distinguir o joio do trigo. Neste debate do “de
quem é a culpa” Sartori ou Tarso - cresce Yeda Crusius e seu discurso de
déficit zero. Para aqueles que não haviam compreendido o espírito do tema, hoje
parece fazer sentido.
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Luciano