quarta-feira, 26 de agosto de 2015

YEDA TINHA RAZÃO



Lembro quando estava cursando o mestrado em Economia do Desenvolvimento, era início de 2006, e estávamos às vésperas da campanha eleitoral. Na ocasião, um professor de macroeconomia, me convidou para escrever o Plano de Governo da então, candidata do PSDB, Yeda Crusius. Era uma oportunidade para eu colocar aquilo que havia vivido na academia, muito embora, naquela ocasião, a candidata não estava cotada para vencer o pleito, pois detinha menos de 10% da intenção dos votos.

Topei o desafio e passei a me reunir com alguns professores de economia, fazendários, planejadores de Estado e servidores das secretarias finalísticas como saúde, segurança, educação e infraestrutura. Entre todos os temas propostos no plano, havia notoriamente uma limitação que impedia o desenvolvimento de toda e qualquer ação de Estado – A falência financeira, ou seja não havia recursos sequer para pagar os salários. Nossa previsão era que o Estado chegaria em dezembro, pagando a folha outubro.

Colocarmos a problemática para a candidata, que de imediato, definiu o mote de sua campanha – Déficit Zero. Confesso que achei o tema impopular e de difícil compreensão, mesmo assim, Yeda ganha as eleições e o déficit zero passa a nortear o governo desde o primeiro dia. Diversas vezes vi a governadora dizendo que o Estado do Rio Grande do Sul, não poderia estar constantemente em Brasília, com o pires nas mãos, para pedir recursos. Sua ideia era que o Rio Grande deveria erguer a cabeça, voltar a ser altivo, nem que para isso fosse necessário cortar na própria carne.

Foi cortado na própria carne, as despesas de custeio que cresciam em média 12% ao ano, através do programa Fazendo Mais com Menos foi reduzido em 30%, o que permitiu uma economia superior a meio bilhão de Reais, 20% dos cargos em confiança foram pulverizados, pela primeira vez na história do Estado salários que ultrapassavam o limite constitucional foram cortados, foi renegociada a dívida com fornecedores (média de atrasos - 13 meses), permitindo  a redução de 30% nos preços praticados ao Estado. Em 2007 haviam registrados na central de compras do Estado – CELIC, 1.1 mil empresas e em 2010 passou para 11 mil empresas.

Os resultados apareceram e são inegáveis, a folha dos servidores foi colocada em dia, inclusive com antecipação do 13º, o Rio Grande passou a investir com recursos próprios, a Lei Brito foi integralizada na folha do funcionalismo, pagou-se precatório 15 vezes mais que a média histórica e o déficit? Zerou.  Quatro anos após a gestão tucana, volta-se ao cenário de 2006, atrasos de fornecedores, folha, falta de recursos para investimentos, repasses a hospitais e por aí vai.

É natural que o servidor público se revolte com este cenário, o salário é sagrado, as famílias possuem compromissos que devem ser honrados mensalmente, salário traz dignidade ao chefe de família. Mas o servidor, em sua grande maioria não é ingênuo e saberá distinguir o joio do trigo. Neste debate do “de quem é a culpa” Sartori ou Tarso - cresce Yeda Crusius e seu discurso de déficit zero. Para aqueles que não haviam compreendido o espírito do tema, hoje parece fazer sentido.

 
 

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Luciano