A Petrobras simboliza a destruição do patrimônio público patrocinada pelo PT. Foi destruída pelo petrolão e por negócios ruinosos que reduziram a companhia a pó
A Petrobras está fazendo
história. Infelizmente, pelas razões erradas. A nave-mãe do petrolão afunda nos
maus resultados das péssimas administrações a que foi submetida na era petista.
À corrupção parasitária juntou-se uma gestão desastrosa que produziu perdas
históricas e colocaram o futuro da companhia em risco.
Ontem, a outrora maior
companhia do país divulgou seus números relativos a 2015. O resultado
foi mais um rombo, o maior de sua história sexagenária: R$ 34,8 bilhões. Nos
últimos dois anos, a Petrobras acumula prejuízo de R$ 56,4 bilhões. Trata-se de
um desastre poucas vezes visto na saga das grandes companhias em todo o mundo.
Desta vez, a estatal sofreu
com a baixa das cotações de petróleo e com a alta do dólar. Só o valor
provisionado com estas perdas nos dois últimos anos - R$ 29,4 bilhões - representa
mais do que a empresa vale hoje em bolsa. Os resultados também foram afetados
diretamente pelos seguidos rebaixamentos de crédito sofridos pela Petrobras
desde 2014, que encareceram seus custos e depreciaram seus ativos.
As perdas com os maus
negócios conseguiram superar em muito os prejuízos com a corrupção já
reconhecidos, avaliados em R$ 6,2 bilhões. Negócios mal feitos, como o Comperj
e duas unidades de fertilizantes em Minas e Mato Grosso do Sul, geraram perda
de quase R$ 8 bilhões. Ao todo, R$ 93 bilhões em ativos foram revistos entre
2014 e 2015, ou seja, evaporaram diante das novas condições de mercado.
Os resultados poderiam ter
sido ainda piores se os brasileiros não estivessem sendo obrigados a pagar bem
mais caro do que os consumidores estrangeiros pelo combustível com que
abastecem seus carros. O sobrepreço oscila em torno de 40%, segundo o CBIE. Com isso, pela primeira vez em oito anos a empresa
teve geração de caixa positiva.
A Petrobras mantém-se como a
empresa não financeira mais endividada do mundo. São R$ 493 bilhões. A estatal
tenta desesperadamente se desfazer de ativos - incluindo as antes sagradas
reservas do pré-sal - para gerar caixa e abater dívida, mas não tem encontrado
interessados, mesmo vendendo tudo na bacia das almas. Carrega nas costas o peso
do seu gigantismo, anabolizado por anos de delírio da gestão petista.
Oficialmente, a própria
empresa reconhece que a normalidade só será reconquistada num prazo mínimo de
quatro a cinco anos. Tão cedo também os acionistas não receberão dividendos -
há dois anos já é assim. A estatal admite que não tem fôlego para promover
novos investimentos, em especial os mais onerosos, como os do pré-sal, cujos
custos de produção hoje já são economicamente inviáveis.
Recentemente, o Senado
aprovou projeto de lei que visa retirar dos ombros da Petrobras o fardo da
obrigação de participar de todos os investimentos no pré-sal. De autoria do
senador José Serra, foi e continua sendo bombardeado pelo PT, que sonha
derrubá-lo na Câmara, ao invés de apoiar uma iniciativa voltada a recuperar a
força da empresa.
O partido que sempre se
apresentou - e anda se apresenta - como defensor do patrimônio público
empreendeu uma verdadeira predação na Petrobras. Além da conhecida pilhagem
desvendada pela Operação Lava Jato, soube-se agora que uma máfia sindical ligada à CUT e ao PT também agiu desde
2003 para sangrar os cofres do RH da empresa, podendo ter causado prejuízos
estimados em R$ 40 bilhões, dos quais 1/3 já provisionados.
A Petrobras encontra-se num
mato sem cachorro. Endividada demais, tem dificuldade para obter novos
empréstimos. Sem a confiança dos investidores e com crédito rebaixado, não
acessa recursos no mercado. Não consegue gerar caixa suficiente porque sua
produção não cresce como necessário. Não é capaz de fazer investimentos que
estão acima das suas possibilidades. Trata-se de uma destruição massiva,
vistosa obra com o pedigree do PT.
Este e outros textos
analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página
do Instituto Teotônio Vilela
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Luciano